Leo Leite e Nicholas Bastos falam um pouco sobre o famoso Shorebreak.
Eles são dois bodyboarders de gerações diferentes. Leo tem 25 anos e Nicholas 17, mas quando se trata de Shore tanto a mais antiga quanto nova representa muito bem o conceito de bodyboard radical. O Shore já é famoso no meio dos bodyboarders mas pouco freqüentado em dias grandes, e esses dois atletas sempre apostam no pico e são beneficiados pelas ondas sem “crowd” em plena Zona Sul carioca. Abaixo segue um bate papo com os dois.
Nicholas Bastos
“ Prefiro os picos de fundo de pedra, por causa do medo que eles proporcionam aos bodyboarders. O Shorebreak não é diferente. Por mais que eu tenha ido milhões de vezes para o Shore, o medo de se machucar vai junto em cada caída.
A onda rápida, pesada e difícil, faz com que bodyboarders como eu e Leo Leite gostem desse lugar mágico.
A sensação de medo que esse tipo de onda me dá, me faz ir mais motivado pegar onda, porque esse mesmo medo se transforma em uma felicidade absurda ao sair de um tubão raso, rápido, largo e pesado. O Shorebreak é um dos maiores exemplos. A adrenalina que um lugar como esse me proporciona, me motiva a pegar o melhor e maior tubo do dia. Um exemplo do que estou falando, é um dia que fui com o Leo para o shore e estava perfeito. As ondas extensas, grandes como nunca vi, fizeram com que o medo pudesse se transformar em alegria rapidamente depois de um drop muito difícil em uma onda da série seguido de um tubo longo, sem contar na alegria maior de ser parabenizando por Leo Leite no canal. A alegria ao sair de um tubo como esses nem se compara a de sair de um tubo normal de um fundo de areia. Só pegando um tubão seco do shore para saber do que estou falando”.

Foto: Nicholas não se deu bem e deu de cara com os afiados mariscos.
Leo Leite acrescenta que toda essa adrenalina envolvida no line-up do Shore que o motiva a surfar esta onda tão difícil, o inspira também a superar os desafios do seu cotidiano, seja no trabalho ou na vida pessoal.
Leo Leite
“Eu sou muito suspeito para falar do Shore porque meus últimos 3 anos de bodyboard dediquei-me a surfar esta onda tão potente. Ela possui um grau de dificuldade muito alto em relação as ondas brasileiras e cada onda surfada é um desafio para o bodyboarder. É necessário ter uma boa leitura da onda e uma remada confiante caso o contrario pode sofrer algum acidente e exatamente por isso, por não ser fácil demais, como é o caso de nossas vidas; nada vem de mão beijada. Você tem que lutar pela sua felicidade e no Shore não é diferente. Primeiramente, você tem que superar uma das coisas mais difíceis do mundo, o seu medo, e por isso eu aprendi a admirar essa onda, e através de seus ensinamentos eu venho crescendo não só como bodyboarder mas também como homem.”
Foto: Leo Leite, mesmo machucado não esconde a satisfação.
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